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  • “50 anos de atraso!… dos cabeças de inveja”, dispara Sarney, sobre críticas da oposição

    Da
    coluna do Sarney

    O Itaqui, a estrada de Carajás, a
    Norte-Sul que eu comecei a construir, tudo era e é para dar emprego, deu e está
    dando milhares, criando riqueza para o bem-estar de nosso povo. Foram os 50
    anos de atraso!… dos cabeças de inveja.
    As minas de Carajás, no Pará, foram
    descobertas de uma maneira misteriosa, embora no século XIX o engenheiro
    Krieger, que chefiava uma missão científica exploradora na região tenha
    afirmado que ali existia ferro “que podia abastecer toda Europa”. Mas foi um
    helicóptero da United Steel, gigante do aço americano, que, num vôo de turismo,
    posou numa montanha e aconteceu o milagre: era de ferro. Ninguém acreditou na
    história, mas foi ela que pediu e ganhou a concessão do governo brasileiro.
    A então Vale
    do Rio Doce não se interessou pela mesma, pois estava concentrada em Minas
    Gerais e nada queria nesta região. Com a ida do César Cals, que tinha sido meu
    superintendente da Cemar e de Boa Esperança, para o Ministério de Minas e
    Energia do Governo Médici, combinei com ele que devíamos fazer uma companhia de
    mineração para esta região, porque a Vale não iria fazer nada. Ele criou a
    Amazônia Mineração e nomeou seu presidente Vicente Fialho, que tinha sido meu
    secretário e prefeito de São Luís. Fialho estruturou a companhia e partiu para
    comprar a concessão de Carajás da United Steel e promovermos o projeto que iria
    embarcar o ferro pelo Itaqui, viabilizando este como um grande porto.
    A coisa andou
    e quando a Vale viu que Fialho ia fazer o projeto independente dela, abriu os
    olhos. Então Eliezer Batista tomou a peito a tarefa de incorporar a Amazônia
    Mineração do Fialho e deslanchou o projeto. Comprou a Mina de Carajás por 50
    milhões de dólares, ela que era a maior mina de ferro do mundo, com alto teor,
    quase 70%, ferro puro.
    Iniciado o
    projeto era essencial definir escoamento viável. O Pará queria que fosse por
    via fluvial, descendo o Tocantins. Tinha o obstáculo de transpor Tucuruí. Então
    ele queria fazer as eclusas do Tucuruí. O projeto do escoamento por estradas de
    ferro e pelo Itaqui era muito mais fácil e o porto paraense de Barcarena não
    tinha calado para receber navios de grandes tonelagens. Mas a guerra foi
    grande. Os paraenses me atacavam por querer trazer o ferro de Carajás para o
    Maranhão e um deles chegou a dizer que só faltava agora eu trazer a Festa de
    N.S. de Nazaré.
    Com a luta
    grande entre os dois estados, eu reuni minha equipe e disse que devíamos
    “melar” o estudo de viabilidade e propor uma solução fluvial pelo Maranhão.
    Usamos a mesma técnica que havíamos usado na SãoLuís-Teresina. Haroldo Tavares
    bolou, com sua criatividade, que podíamos abrir um canal ligando o Mearim ao
    Tocantins (!) e o escoamento seria pelo Itaqui.Embora fosse uma proposta
    mirabolante, o certo é que a solução fluvial podia também levar ao Itaqui. A
    guerra foi grande. A bancada do Pará foi ao presidente Médici, e o Epílogo de
    Campos, deputado pelo Pará, disse: “O Pará tem direito.” Médici respondeu: “Tem
    direito mas não tem porto”.
    Nossa equipe
    trabalhava junto à área técnica e sabíamos que a solução tinha de ser o Itaqui
    e só ela viabilizava o aproveitamento das Minas de Carajás. Briguei, foram dois
    anos de luta, mas vencemos, e hoje o Itaqui exporta 120 milhões de toneladas de
    ferro, é o 2° porto do Brasil e, recebendo 1.550 navios/ano, é um dos maiores
    do mundo.
    Depois eu fui
    presidente, dei toda força à Vale e concluímos o projeto e atingimos o
    objetivo. A Vale era estatal e o governo não negava recursos ao Itaqui e ao
    projeto Carajás. Eu estava vigilante e sempre cobrando seu andamento.
    Completávamos
    o nosso sonho. Tínhamos construído o Ponta da Madeira, no Itaqui, conseguimos
    que ele fosse o Porto de Carajás, e hoje ele está recebendo os maiores navios
    do mundo (400.000 toneladas), que só ancoram aqui e em Roterdã, e alavanca o
    progresso do Maranhão.
    Repito, em
    torno de um grande porto sempre floresce uma grande civilização. No futuro só
    teremos que ter grandes e boas notícias. O Itaqui, a estrada de Carajás, a
    Norte-Sul que eu comecei a construir, tudo era e é para dar emprego, deu e está
    dando milhares, criando riqueza para o bem-estar de nosso povo. Foram os 50
    anos de atraso!… dos cabeças de inveja.

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