Um levantamento do Folha do Maranhão revela que a gestão da prefeita Maura Jorge, em Lago da Pedra, possui R$ 414.450,00 em contratos com a empresa T. N. Silveira Oliveira, investigada pelo Ministério Público por indícios de ser uma empresa de fachada. Ao todo, o município firmou dez contratos, com valores que variam entre R$ 25 mil e R$ 55 mil, celebrados entre os anos de 2021, 2023 e 2024, todos com o mesmo objeto: prestação de serviços de consultoria técnica e orientação ao controle interno para atender às secretarias municipais.
Recentemente, o Ministério Público do Maranhão, por meio da promotora de Justiça Larissa Sócrates de Bastos, instaurou um inquérito civil para investigar um contrato da mesma empresa com a Prefeitura de Santa Inês. Segundo a Promotoria, há fortes indícios de que a empresa não possui sede física nem operação real — o endereço informado seria, na verdade, uma casa abandonada. O órgão também aponta suspeitas de fraude em documentos licitatórios, incluindo possíveis atestados de capacidade técnica falsos e declarações fictícias.
A investigação indica ainda que o capital social da empresa, de apenas R$ 20 mil, é incompatível com o volume de contratos públicos firmados em diferentes municípios, que ultrapassam R$ 1 milhão — sendo quase 60% desse valor provenientes da gestão de Maura Jorge em Lago da Pedra.
Entre os investigados estão o prefeito de Santa Inês, Felipe dos Pneus (PP), Lígia de Cássia Sousa de Araújo e Tiago Natanael Silveira Oliveira, representante legal da empresa. O Ministério Público também cita o contador Misraim Moura Albuquerque e um auditor conhecido como “Neto do TCE”, ambos apontados em outros esquemas semelhantes no interior do estado.
A Promotoria determinou a coleta de documentos licitatórios, a análise técnica pela Procuradoria-Geral de Justiça e a comunicação ao Tribunal de Contas do Estado e ao Conselho Regional de Contabilidade.
Embora, neste primeiro momento, o foco da investigação seja o contrato firmado com a Prefeitura de Santa Inês, a apuração deve se estender aos acordos firmados pela gestão de Maura Jorge em Lago da Pedra, já que quase metade dos valores investigados está concentrada no município.



