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  • A tocha de Sarney

    O senador José
    Sarney
    é, como todos sabem, o político com o maior poder na República,
    mesmo agora quando não está mais no comando do Congresso Nacional.
    Aliás, o poder dele pode até aumentar sendo “apenas” mais um entre os oitente e
    um senadores.
    No seu artigo
    deste de domingo, publicado na sua coluna, no jornal O Estado do Maranhão,
    Sarney discorre os 56 anos que está no Congresso Nacional. “Sou
    o mais longevo político da história republicana, o que por mais tempo
    permaneceu ativo na história da República, tendo ocupado todos os postos
    políticos do país”
    , ressalta.
    O senador pelo
    estado do Amapá relata também algumas das ações tanto dos
    tempos de presidente da República quanto de congressista, mas lhe falha a
    memória para dizer o que o Maranhão, o estado que o pariu, ganhou durante todas
    essas décadas em que o pinheirense está na crista do poder central do país.
    Tenho sustentado
    que, ao se tornar um político nacional, José Sarney ficou maior que o Maranhão.
    Se voltou completamente para aos assuntos da República deixando o nosso estado
    nas mãos de tudo que é tipo de gente, principalmente dos que têm o sobrenome
    Sarney ou Murad.
    Isso fez com que
    as nossas instituições locais fossem dominadas por
    apadrinhados políticos, tornando-as fracas e dominadas por vícios de toda
    ordem. Basta ver como funcionam (ou não) os o Poder Judiciário, Ministério
    Público Estadual, Tribunal de Contas, as prefeituras etc. O grupo Sarney
    cresceu tanto que hoje está espalhado, de alguma forma, em todas instituições
    maranhenses, e talvez o próprio Sarney já não tem mais controle do que ocorre,
    já que vive na República e não no estado.
    A transição de
    geração política que Sarney fez colocou a filha, governadora Roseana
    Sarney
    , como a líder estadual número um do grupo. Passou a “tocha” pra
    ela, e a ela caberia fazer com que as nossas instituições locais atuassem
    verdadeiramente de forma republicana.
    Ainda há tempo
    para isso.
    A seguir a íntegra
    do artigo “As tochas de chegada”, de José Sarney.
    “Pude viver e cumprir com meu destino sem passar por cima de
    ninguém e dizer como Lincoln: “Nunca cravei, por meu desejo, espinho algum no
    peito de ninguém”.
    É dos gregos a
    invenção do simbolismo da tocha. É um símbolo de vitória, de chegada. Também
    deles é o provérbio de que as coisas são boas quando terminam bem.
    Terminei um ciclo
    de minha vida esta semana quando concluí meu mandato de presidente do Senado
    que por quatro vezes fui investido e por oito anos exerci. Confesso que estava
    feliz e como em toda felicidade, atravessei uma carga de emoção. Afinal,
    durante 56 anos estou no Congresso Nacional. Sou o mais longevo político da
    história republicana, o que por mais tempo permaneceu ativo na história da
    República, tendo ocupado todos os postos políticos do país. Deputado federal
    três vezes, vice-presidente e presidente da República, senador cinco vezes e
    presidente do Senado e do Congresso Nacional (reunião das duas Casas, Câmara e
    Senado), também. Tudo isso, com as vicissitudes dos cargos, turbulências,
    injustiças, xingamentos, insultos, invejas e essas coisas mais da maldade
    humana. Mais nada de amargura. Encaro a vida como uma graça de Deus e todo dia
    tenho gratidão por ela. Dediquei toda ela a serviço do meu país, pude ajudá-lo
    incorporando-me à sua história. Presidi a transição democrática, convoquei a
    Constituinte, fui o primeiro a jurar a Constituição de 1988, que implantei e é
    a mais duradoura da história republicana, completando 25 anos este ano, sem
    nenhum momento de exceção ou de sombreamento da democracia. A implantação dos
    direitos sociais, individuais e civis que hoje desfrutamos, no exercício da
    verdadeira cidadania. Foi durante meu governo que demos o passo mais decisivo
    para a melhoria da qualidade de vida do povo quando criei a universalização da
    saúde, isto é, a proteção de saúde do Estado a todos, desde o nascimento até a
    morte. Hoje, a saúde não é totalmente satisfatória, mas é uma proteção do
    Estado. O salário-desemprego, o salário-alimentação, a proteção de não deixar
    penhorar a casa própria, os direitos do consumidor, a distribuição de livro
    escolar e a merenda, liberdade de imprensa com o término da censura, foram
    ações praticadas por mim.
    No Congresso, que
    encontrei no século XX com as atas escritas a mão, deixei totalmente
    informatizado, com absoluta transparência, TV Senado, transmitida em 11 estados
    e deixei os transmissores comprados para sua implantação no Maranhão, Rádio
    Senado Federal, retransmitida por 2.000 emissoras em todo o Brasil, Portal da
    Transparência. Sempre fui um homem do meu tempo. Nunca tive olhos para o vazado
    nem para vingança. Sempre para o futuro, estudando, me atualizando e me
    adaptando às novas idéias e tecnologias.
    Já escrevi 146
    títulos, entre livros, ensaios, avulsos, plaquetes. Sou o decano da Academia
    Brasileira de Letras, onde ocupo a Cadeira 38, que tem como fundador Tobias
    Barreto e ocupada por Santos Dumont. Tudo isso passava pela minha cabeça quando
    entregava a presidência do Senado. E pude viver e cumprir com meu destino sem
    passar por cima de ninguém e dizer como Lincoln: “Nunca cravei, por meu desejo,
    espinho algum no peito de ninguém”.
    fonte: blog do robert lobato

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