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  • Audiência discute soluções para problemas nos serviços prestados pelos ferry boats no Maranhão

    Audiência
    pública, realizada em Pinheiro, reuniu deputados, população, empresas e Emap
    A Assembleia Legislativa do Maranhão, por
    meio da Comissão de Obras e Serviços Públicos, realizou, neste final de semana,
    audiência pública para discutir os problemas nos serviços de ferry boats
    prestados principalmente para a região Baixada Maranhense. O requerimento foi
    do deputado Othelino Neto (PCdoB) e os debates aconteceram no auditório do
    Instituto Educacional Marçal, reunindo representantes da Empresa Maranhense de
    Administração Portuária (Emap) e das empresas Serviporto e Internacional
    Marítima que possuem a concessão para explorar o transporte.

    A audiência foi conduzida pelos deputados estaduais
    Othelino Neto (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB) com as presenças de
    representantes de vários municípios da região, das empresas e do Ministério
    Público. “Nós discutimos aqui os problemas na expectativa de sair daqui com
    proposições e até com compromissos firmados”, disse o parlamentar do PCdoB.

    “Não só como usuário dos serviços de ferry, mas
    também na Assembleia,

    recebemos muitas reclamações sobre a qualidade dos
    serviços. E, mais que reclamar disso publicamente, assim como outros colegas já
    fizeram, a exemplo do deputado Bira, acredito que o diálogo seja a melhor
    saída. Nós poderíamos ter feito uma conversa em São Luís, mas com certeza
    teríamos mais efeito fazendo aqui na Baixada”, argumentou Othelino Neto.

    Logo no início, o deputado do PCdoB fez uma espécie
    de preâmbulo, falando sobre os problemas estruturais que começam no porto da
    Ponta da Espera, em São Luís, atualmente em reforma. Outro aspecto tratado foi
    a questão de descentralizar a venda de passagens, criando postos em municípios
    da região, assim como mais formas de pagamento. “Mas a questão da segurança me
    inquietou muito. Eu pelo menos não percebi alguém que fosse capaz de fazer um
    serviço maior, caso necessário. Também não vi pessoas especializadas em fazer
    algum serviço de atendimento de saúde”, afirmou.

    Na audiência, Bira do Pindaré listou uma série de
    problemas que acontecem cotidianamente, mas citou um assunto já tratado na
    tribuna da Assembleia Legislativa, que o motivou a encaminhar uma Indicação ao
    governo do Estado. “Há um mês e meio, tentei utilizar os serviços e não foi
    possível devido a um protesto realizado por passageiros. Foi uma situação
    difícil que as pessoas, pela revolta, ameaçaram colocar fogo no porto. E
    acredito que isso não deve ter sido a primeira vez que aconteceu. Então é
    necessário discutirmos esses assuntos e buscarmos as soluções necessárias”,
    cobrou.

    Reclamações

    A seguir, os questionamentos foram abertos à população.
    O primeiro a falar foi Giovanni Melo, que ressaltou a importância do evento e
    fez um relato sobre experiências anteriores que tinham o mesmo objetivo de
    melhorar os serviços de ferry. Ele abordou a questão dos preços e a qualidade
    dos serviços prestados: “Não dá para entender, porque São Luís está aqui
    pertinho. Além disso, uma das empresas que trabalha aqui com ferry também atua
    na Bahia e com uma qualidade bem melhor. Fiz uma pesquisa rápida na internet e
    vi isso. Se você quiser, tem que pagar com dinheiro em espécie porque não
    aceitam cartão, seja de débito ou crédito”, comentou.

    Ângelo Rayol também reclamou da falta de postos
    para a compra de passagens, além da grande fila de espera. Ney Pereira,
    presidente da Associação de Moradores do povoado Ponta de Santana, reclamou da
    falta de limpeza, principalmente nos banheiros. “Isso não existe. Quem entra em
    um banheiro desses pode até sair doente”, argumentou.

    A questão dos banheiros e dos preços altos e a
    proposta para maior facilidade em compra de passagens também foram levantadas
    pelo ex-vereador de Pinheiro, Erasmo Leite, que pediu uma melhoria na frota de
    ferries. “Sei que esse é um processo longo, mas dá para fazer isso”, frisou.

    Já o vereador Stélio Cordeiro solicitou que a idade
    de sete anos seja estipulada pra que as passagens de crianças comecem a ser
    cobradas. “Vi gente idosa com dificuldades para pegar o ônibus. Hoje, esse
    trajeto é enorme com uma obra que já dura quase três anos. Então é necessário
    que os motoristas destas empresas sejam orientados a facilitar a vida dessas
    pessoas”, relatou.

    Outro vereador de Pinheiro, Enézio Vitorino
    Ribeiro, lembrou que alguns dos ferries não possuem mais condições de realizar
    a travessia para a Baixada. “Há três meses, ficamos mais de 18 veículos
    esperando na fila sem poder embarcar. É necessário transporte extra, quando há
    lotação máxima. A situação é precária e precisa melhorar”, comentou.

    A vereadora Selma solicitou que, durante os
    desembarques, sejam retirados primeiro os passageiros para que, em seguida,
    saiam os veículos. Outro parlamentar de Pinheiro, Válber Soares, reclamou da
    falta de elevadores ou outros mecanismos que possam ajudar no transporte de
    passageiros, principalmente daqueles com capacidade de locomoção reduzida. O vereador
    João Moraes também falou sobre a questão da falta de segurança. “Em alguns
    ferries, há um absurdo enorme. Colocam-nos em lugares trancados com cadeados.
    Se houver alguma emergência, morre todo mundo ali”, reclamou.


    Vereador
    de Bequimão, Ellanderson Pereira ressaltou vários aspectos que deixam a
    desejar, dentre eles a falta de higiene, altos preços cobrados por alimentos, a
    falta de padronização nos estacionamentos de veículos e na cobrança de
    passagens. “Todas estas são questões que vão trazer um conforto mínimo aos
    passageiros, mas que são extremamente necessários e que podem facilmente serem
    resolvidos, como por exemplo a cobrança de passagens para crianças menores de
    sete anos, que ao meu ver é abusiva”, argumentou.

    O lado das empresas

    Diretor de operações da Emap, José Antônio Alves
    Magalhães disse que as reformas na Ponta da Espera devem ser concluídas em até
    40 dias e que, em seguida, serão melhoradas as instalações no Porto de Cujupe,
    em Alcântara. “Nossa expectativa é que, com essa conclusão, com certeza os
    serviços para os passageiros serão melhorados. Posso observar, também, que já
    procuramos as empresas de telefonia para que os serviços de comunicação sejam
    melhorados. Mas este é o caminho. Uma vez que se depara com algum problema, buscar
    a diálogo e a solução deles”.

    Em uma explanação técnica, o representante da
    Internacional Marítima, José Roberto Franciscone, disse que a empresa está
    finalizando um site específico para a venda de passagens via internet e que vai
    tratar de melhorias nas lanchonetes e banheiros. Afirmou que existe uma
    defasagem nos preços de passagens.

    “Hoje nós temos algo mais ou menos como mais de R$
    1 milhão em despesas e pouco mais de R$ 900 mil em receita, mensalmente. Então
    porque não se fecha? Porque é um serviço público que precisa estar em
    atividade. Precisamos, também, tratar desta questão, até para realizarmos
    maiores investimentos, ter uma contrapartida do poder público”, argumentou José
    Roberto.

    O diretor também solicitou que a Secretaria de
    Infraestrutura (Sinfra) prepare uma nova concorrência no serviço, levando em
    consideração os aspectos geográficos locais. “As condições de maré e de mar
    daqui aumentam os custos de operação e manutenção. Os elevadores, por exemplo,
    não duram nem um ano devido a grande quantidade de salitre”.

    A outra empresa operadora do serviço, a Serviporto,
    foi representada pelo engenheiro Landrin Sadin, que disse listou o que está
    sendo feito para diminuir estes problemas. “Para cada item destes citados aqui,
    estamos procurando uma melhor solução. Ainda não é o satisfatório, mas
    melhoraram nos últimos anos e pretendemos avançar mais. Em outubro, receberemos
    uma nova embarcação, Cidade Araioses, que procuramos adequar algumas melhorias,
    com espaço para 1500 passageiros e modificações em banheiros. O que se faz e o
    que se espera é que haja um consenso de todas as partes envolvidas sobre as
    responsabilidades de cada um, seja o poder público, os passageiros e as
    empresas”.

    O assessor jurídico da Sinfra, Adriano Cassique,
    disse que uma empresa já foi contratada para melhor gerir o sistema e que será
    responsável por elaborar um estudo que faça um diagnóstico geral sobre o
    sistema aquaviário no Estado. “Nós vamos ter o conhecimento de como funciona o
    sistema. Quanto custa? Quais os problemas? Essas questões todas precisam ser
    conhecidas e isso vai nos dar um panorama mais abrangente, para que possamos
    buscar as soluções adequadas”, argumentou.

    Após os debates, ficou marcada a realização, no dia
    27 de junho, de reunião com representantes das empresas, mas em São Luís, na
    Assembleia Legislativa. Lá serão tratadas questões sobre a instalação de um
    posto de venda de passagens em Pinheiro, além das vendas de tíquetes com a
    utilização de cartões de crédito e/ou débito.

    Além de Pinheiro e Bequimão, foram convidados
    representantes dos municípios de São João Batista, São Bento, Santa Helena,
    Cururupu, Cajapió, Cedral, Alcântara, Bacurituba, Palmeirândia, Porto Rico, São
    Vicente Ferrer, Guimarães, Mirinzal, Central do Maranhão e Peri Mirim.

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