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  • Barragem do Rio Pericumã enfrenta sérios problemas estruturais

    Em Pinheiro, na
    Baixada Maranhense, a barragem do Rio Pericumã, enfrenta sérios problemas na
    estrutura. Ela foi inaugurada em 1982 e em 31 anos de funcionamento, nunca foi
    reformada. Sem manutenção adequada, a barragem que é considerada uma das
    maiores obras sociais da região, está entregue ao abandono.
    A estrutura de
    ferro da obra está corroída pela ferrugem, gasta pelo tempo, comprometida pela
    falta de manutenção. Em uma das comportas, os cabos de aço responsáveis por
    movimentar as comportas quebraram há quase dois anos. As peças nunca foram
    trocadas e a comporta interditada.
    A barragem foi
    construída no final dos anos 1970, pelo extinto Departamento Nacional de Obras
    de Saneamento (DNOS). A obra foi inaugurada com o objetivo de represar a água
    doce do Pericumã e impedir a invasão da água salgada.
    O Rio Pericumã
    abastece a cidade de Pinheiro, uma das maiores da região, com mais de 70 mil
    pessoas. Ele também é utilizado para atividades como pesca de subsistência e na
    agricultura. A pescadora Maria Pereira mora a 20 metros das comportas e sabe a
    importância desta obra para as comunidades ribeirinhas. “É daqui do Pericumã
    que retiramos nossos alimentos, pegamos a água que utilizamos. Se não fosse a
    comporta, não sei nem o que seria da gente, porque para cá quase não temos emprego,
    não há terras para a gente trabalhar. Nós vivemos da pesca e se isso aqui
    secar, acabou tudo para nós”, conta.
    Hoje a
    administração da barragem é de responsabilidade do Departamento Nacional de
    Obras Contra as Secas (Dnocs), com sede em Fortaleza. Mas na barragem não há um
    só funcionário do departamento para realizar a manutenção básica da obra. Para
    abrir as comportas, as próprias pessoas que moram próximas é que realizam a
    operação, como é o caso do serralheiro Antônio José Soares.
    Problemas

    Sem um técnico especializado ou manutenção, os problemas se acumulam. Todo o
    sistema de vedação das comportas, que deveria evitar a passagem da água do mar
    para o rio, está comprometido. Todo o material é o mesmo desde sua inauguração
    e não há perspectivas de quando o material, deteriorado pelo tempo, possa ser
    trocado. Em muitos trechos, já há vazamentos.
    “Quando estas
    comportas foram inauguradas, ela operava com qualquer desnível de água. Hoje
    não se pode fazer isso. Se fizer com 20 centímetros de desnível, já é arriscado
    demais. Porque nas comportas que funcionam como barragem há um sistema de rodas
    que deslizava sobre um trilho e isso facilitava para que a borracha não ficasse
    totalmente pressionada. Como já houve um desgaste muito grande dessas rodas, a
    borracha fica totalmente pressionada e corre um sério risco de estourar,
    quebrar o concreto ou a roldana”, explicou o operador.
    A lama também se
    acumula nas comportas e pode prejudicar sua abertura. Na barragem, nada
    funciona como deveria. Sem a manutenção devida, os motores e cabos de aço do
    sistema de içamento das comportas funcionam com menos de 50% de sua capacidade.
    “Nesses geradores é preciso fazer a troca de óleo a cada seis meses e já está
    indo para três, quatro anos que não é feito. O retificador de freio é acionado
    por uma placa. Como existem cinco comportas, você precisar tirar a placa de uma
    e colocar na outra para que funcione”, acrescentou Soares.
    Vidraças
    quebradas, guarda-corpos também. Em alguns trechos a proteção foi improvisada
    com pedaços de madeira. A mesa que controla a abertura e fechamento das cinco
    comportas também tem problemas. Sem manutenção há cinco anos, há chaves
    travadas, por exemplo.
    A barragem não tem
    sequer energia elétrica. A pequena subestação instalada no local há anos foi desativada
    por falta de pagamento da conta de luz. O motor que deveria gerar energia para
    mover as comportas também está parado.
    A Prefeitura de
    Pinheiro encaminhou ofícios ao Dnocs e á Secretaria Estadual de Infraestrutura
    (Sindra) comunicando os problemas e pedindo soluções. Se nada for feito, só
    resta aos ribeirinhos rezarem e torcerem para que o período de chuvas não seja
    tão intenso e que várias famílias não fiquem desabrigadas. “A nossa preocupação
    é essa. Quando o inverno chega isso aqui tudo fica alagado. Se encher e a
    comporta não forem aberta, o que poderemos fazer?”, indagou o pescador João
    Pereira.
    De acordo com a
    assessoria do Dnocs, recentemente o departamento elaborou um plano de
    recuperação da barragem. No entanto, aguarda a liberação de recursos do governo
    federal para dar início aos trabalhos de reparos.

    Do G1 MA

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