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  • UFMA: Seminário Interdisciplinar do Proeb discute a leitura e escrita na era digital em Guimarães.

    GUIMARÃES – Com o tema “Leitura, escrita e construção de saberes no município de Guimarães”, o primeiro Seminário Interdisciplinar do Proeb realizado no município de Guimarães encerrou os trabalhos no sábado, com mesa-redonda, apresentações orais e pôsteres.

    A mesa-redonda, composta pela professora do Departamento de Letras da UFMA, Veraluce da Silva Lima, e pelo professor do Departamento de História da UFMA, Marcos Vinícius Baccega, sob a coordenação da professora do curso de História, Régia Agostinho da Silva, teve como tema “Leitura, escrita e produção de conhecimento histórico pelos alunos do Proeb”.

    Durante as discussões, a professora Veraluce abordou a leitura, escrita e conhecimento histórico e linguístico na era digital. Ela se apropriou da reflexão ontológica heideggeriana para explicar a importância da comunicação. “Qualquer área do conhecimento se vale da linguagem para desvelar o seu objeto de estudo, a realidade. Por isso, eu gosto do Heidegger, porque ele disse que a linguagem é a casa do ser”, lembrou.

    Veraluce indagou sobre a produção do conhecimento linguístico e histórico em tempos de comunicação mediada pela internet. Para ela, o estabelecimento da linguística da internet é uma área do conhecimento muito nova e complexa. “Nós não podemos desconsiderar esta realidade. Na sociedade do conhecimento, a tecnologia se fez mais presente no nosso cotidiano. Ali está a língua, a comunicação e como ela está se processando”, explicou.

    “Com as exigências advindas da sociedade do conhecimento, novos desafios são colocados aos profissionais deste século”, concluiu a palestrante, que também afirma que a internet abriu novos horizontes para a produção e recepção de textos materializados pela língua.

    Por sua vez, o professor do Departamento de História da UFMA, Marcos Vinícius Baccega, centrou sua fala na metáfora da condição humana, de Leonardo Boff, do livro “Águia a Galinha”, acerca das tradições culturais e da capacidade humana de romper barreiras.

    Essa metáfora, segundo o professor Marcos Vinícius, provém de uma fábula das etnias habitantes do atual estado de Gana, que diziam que, para a Educação Básica o ser humano vive em duas dimensões: da águia e da galinha. “A grande dialética da vida humana é ser águia e ao mesmo tempo ser galinha, para que possamos saber nossas raízes, de onde viemos, e manter nossa humildade e humanidade, e ao mesmo tempo sermos capazes de percorrer as estrelas através dos nossos pensamentos”, contou.

    Para o pesquisador, nós somos o homem simbólico, porque somos capazes de dar significados à natureza que nos circunda. “Os nossos escritos, sejam eles portadores de quais saberes foram, serão necessariamente uma obra de linguagem e de cultura, portanto, não existe o apolítico na formação social do homem, porque a educação são processos formativos na escola, na família, nos movimentos sociais e na realidade”, enfatizou.

    Vinícius alertou sobre o perigo de tentar impor uma formação externa aos alunos. “A nossa tarefa é fazer com que os alunos cheguem até nós e produzam conhecimento. Vocês devem ajudá-los a textualizar as memórias que eles trazem e não impor uma memória oficial, escrita de fora”, advertiu.

    Uma das integrantes do grupo que apresentou o trabalho sobre “A importância da leitura e escrita nas bibliotecas comunitárias de Guimarães”, Jorcilene Goulart Azevedo, acredita que deve haver um processo de aproximação com as bibliotecas. “É necessário sensibilizar as famílias que constituem a comunidade para os benefícios da leitura, introduzindo dessa forma o sentimento e apropriação das bibliotecas”, indicou. Segundo ela, a maioria das comunidades possuem atividades sociais e culturais que acabam integrando todos os grupos, o que poderia ser um meio para essa aproximação.

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