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  • Apoio a liberdade de expressão.

    “Quero
    expressar meu mais incondicional apoio ao 3º sargento PM e jornalista Ebnilson,
    do Blog do Ebnilson, no momento em que pesa sobre ele uma ameaça comum aos
    tempos mais sombrios da história política recente do nosso país, a repressão
    estatal à liberdade de expressão e de imprensa.
    No dia 30
    de abril, nosso estimado sargento fez publicação em seu blog comentando a
    diferença de tratamento em forma de reajuste salarial dado aos delegados da
    Policia Civil do Maranhão em comparação ao dos oficiais da PMMA, pelo governo.
    Ressalte-se a total legitimidade do meio utilizado, inclusive, do ponto de
    vista constitucional. É lamentável e assustador que no dia 8 de maio tenha sido
    instaurado Inquérito Policial Militar para apurar ação por publicar matéria,
    supostamente criminosa.

    Senhoras e senhores, onde nós estamos? Quando é que vamos passar a limpo esse
    país? Quando varreremos para fora essa legislação aleijada, lixo restante da
    ditadura, que insiste em nos assombrar? Que democracia estamos construindo, que
    aceita conviver com tais violências? A constituição de 1988 não serve aos
    servidores da PM do Estado do Maranhão? Eles não são cidadãos?


    Duvido que o governador Flávio Dino tenha participação dessa violência. Duvido
    que ele compactue com tal malignidade. Tenho certeza de que as organizações de
    defesa dos Direitos Humanos do nosso Estado não aceitarão que tal violência se
    concretize. Convoco-as para assumirem posição ou um Policial Militar vitimado
    pela violência, pelo absurdo estatal, não é digno de sua defesa?

    Obviamente, não sou um jurista, um constitucionalista, sou Cabo de Polícia!
    Mesmo assim, encontro no lugar de poder expressar meus posicionamentos. Por se
    tratar de um direito fundamental e, por conta de seu conteúdo valorativo de
    princípio constitucional e cláusula pétrea (art.60, §4º, IV) à liberdade de
    expressão merece máxima importância e proteção no nosso ordenamento jurídico
    vigente.

    A Constituição assegura a todo brasileiro o direito à liberdade de se expressar
    de acordo com sua vontade, pensamentos e convicções, sem ser agredido ou
    rejeitado pela sociedade, nem vítima de perseguição. Poderá fazê-lo por meio de
    escritos, imagens ou palavras conforme artigo 5º, inciso IV. Percebam! O texto
    constitucional diz: Todo brasileiro, isso inclui Policiais Militares. Ou isso,
    ou estamos dizendo que Policiais Militares não são cidadãos.
    Tudo o
    que o Sgt. Ebnilson fez foi exercer seu direito constitucional, nada mais. Tal
    direito se estende até aos estrangeiros aqui residentes e àqueles que entrarem
    no país regularmente por meio de tratados (art.5º,§2º). Nossa constituição não
    permite, sequer, a extradição de estrangeiro que cometer crime político ou de
    opinião, está expressamente vetada, conforme artigo 5º.

    Percebam que nossos deputados constituintes se preocuparam com todos, todos!
    Policiais também! Isso significa que, a todos é concedido o direito de
    participar ativamente do pluralismo de ideias para o bom funcionamento da
    democracia. Trata-se de uma faculdade do indivíduo para manifestar livremente
    seus juízos de valor e garantir o pleno exercício da soberania popular.
    Meus
    irmãos, a comunicação livre enriquece e amplia o debate público e assegura que
    os cidadãos opinem sobre os temas em pauta no país. Daí a vital importância de
    uma imprensa livre, que abra espaço para as manifestações de todos os
    segmentos, sem distinção ou qualquer tipo de preconceito, conforme estabelecido
    no art.5º.

    No Estado Democrático de Direito, entendemos que a liberdade de expressão e
    comunicação cumpre duas funções essenciais: a de informar, na medida em que as
    notícias se tornam públicas e seu acesso permite aos cidadãos conhecê-las
    melhor e avaliá-las, e criticar o poder público, o que poderá levar, inclusive,
    à mudança dos governantes.

    A doutrina jurídica brasileira parece já ter incorporado o valor da liberdade
    de expressão e comunicação voltada aos objetivos sociais coletivos. A
    comunidade política, certamente, não. As Polícias Militares de todo o Brasil,
    certamente, estão longe de incorporar tal valor, parecem não ter percebido
    ainda, que há uma nova constituição no país e que exige delas, também, sua fiel
    observância. Não é o país e a constituição que devem se enquadrar aos
    regulamentos militares, pelo contrário, a legislação castrense deve ser uma
    serva fiel e obediente da Constituição. Ou isso, ou nossa democracia estará
    sempre inacabada e seremos sempre uma “república” dividida em classes de
    cidadãos e, até, de não cidadãos.

    Por fim, reafirmo meu apoio ao 3º Sgt Ebnilson, jornalista inscrito em órgão de
    classe, abrindo as portas do meu gabinete e pondo à sua disposição nossa
    assessoria jurídica para o que for necessário. Nosso mandato estará sempre a
    serviço do povo e dos trabalhadores do Estado do Maranhão.”
    Cabo Campos
    Deputado
    Estadual

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