A juíza eleitoral Rosângela Macieira determinou que o Instituto Veritá LTDA passe a informar, de forma clara, legível e em destaque, que a pesquisa divulgada pela empresa, que favorece o ex-prefeito de São Luís e pré-candidato ao governo do Maranhão, Eduardo Braide, está sendo contestada na Justiça, no processo nº 0600076-79.2026.6.10.0000. A decisão vale para todas as formas de divulgação, incluindo rádio, televisão, internet, redes sociais e material impresso.
A magistrada também estabeleceu que o instituto apresente, no próprio material divulgado, justificativas técnicas e legais para pontos que foram contestados, como o plano amostral, os relatórios de resultados e a documentação do estatístico responsável pelo levantamento. A determinação foi tomada após a identificação de falhas consideradas relevantes na pesquisa.
Os números do levantamento tiveram grande repercussão, principalmente nas redes sociais de Eduardo Braide, onde alcançaram cerca de 70 mil visualizações. As publicações do pré-candidato, no entanto, não trazem qualquer aviso de que a pesquisa está sob análise da Justiça Eleitoral, como agora exige a decisão.
Com isso, o ex-prefeito de São Luís está passível de representação na justiça eleitoral para ajustar o conteúdo já divulgado, incluindo o alerta determinado pela juíza. A divulgação em larga escala, sem a devida informação sobre a situação do levantamento, pode levar à apresentação de medidas judiciais por parte de adversários ou de quem se considere prejudicado.
Além das falhas apontadas na decisão, o Instituto Veritá já acumula um histórico de problemas relacionados a transparência. Levantamentos recentes mostram que a empresa responde a mais de 80 processos em diferentes estados do país, muitos deles ligados à ausência de informações completas sobre metodologia, amostragem e identificação dos responsáveis técnicos. Também vieram à tona denúncias envolvendo o estatístico que assinou a pesquisas do instituto. Guilherme Alvarenga Laia não possui registro no Conselho Regional de Estatística da 5ª Região (Conre-5), que abrange os estados do Nordeste, incluindo o Maranhão, o que ampliou as dúvidas sobre a confiabilidade dos dados divulgados.
Como a pesquisa favorece diretamente Eduardo Braide, a forma como esses números foram divulgados passa a ser vista como ‘questionável’. O uso do levantamento sem o aviso de que ele está sendo contestado na Justiça Eleitoral pode abrir espaço para medidas judiciais, principalmente diante do alcance que a publicação teve nas redes sociais.



