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  • Lideranças quilombolas da Baixada acampam sede do Incra

    80
    líderes de comunidades quilombolas da Baixada Maranhense estiveram na sede do
    Incra para reivindicar a posse de terras na região. Disputa com latifundiários
    aumenta tensão

    Uma reunião para discutir a entrega dos relatórios
    antropológicos de comunidades quilombolas foi realizada na manhã de ontem, na
    Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
    (Incra), em São Luís. O pregão regional durou quase 4h e teve a participação de
    representantes do órgão e lideranças de localidades que reivindicam a
    certificação de suas terras.

    Estiveram presentes cerca de 80 líderes quilombolas de todo o estado,
    principalmente de comunidades da baixada maranhense. De acordo com Naildo
    Braga, de São Raimundo, a reunião abordou reivindicações existentes desde 2011
    e que até agora não foram atendidas. “São relatórios antropológicos para as
    localidades que nunca foram entregues pelo Incra, já esperamos muito tempo e
    nenhuma resposta”, destacou. O relatório contém o estudo da área da comunidade
    feito por um antropológico que coleta dados do local e das pessoas comprovando
    a comunidade como quilombola.

    Ele afirma que entende que o Instituto tem uma demanda muito grande de processo
    de terras e que a estrutura não é suficiente para resolver esta questão. Naildo
    disse que para facilitar o trabalho, o Incra contratou uma empresa para
    desenvolver a pesquisa e elaborar os relatórios, mas, que a mesma não está
    cumprindo com o acordo firmado, como a entrega dos resultados no prazo
    estimado.

    “Estar dentro de uma área com uma pessoa dizendo que é dono limita as nossas
    condições de trabalho, pois não deixam a gente fazer nada e ainda ameaçam de
    morte as lideranças da comunidade, tirando o direito de lutar pela terra”,
    revelou.

    Segundo ele, no estado são centenas de localidades quilombolas que têm a
    certificação da propriedade. Naildo faz parte do Movimento Quilombola da
    Baixada Ocidental Maranhense (Moquibom), ligado à Articulação Nacional de
    Quilombos, o que representa uma força maior para garantir os direitos deste
    povo. “Somos um povo muito esquecido, onde falta tudo. Não temos moradia digna,
    estrada, educação, saúde e principalmente o direito a terra”, concluiu.

    Mãe de seis filhos, dona Marli Borges, da comunidade Guerreiro, em Parnarama,
    enfatizou que as 80 famílias sofrem constantemente ameaças dos donos da terra e
    de pessoas que se infiltram no local para dificultar os processos de
    certificação da propriedade. “Nós não temos água, energia elétrica, transporte
    e nossa dificuldade é enorme, mas, não desistimos, somos guerreiros e lutamos
    até o fim. Com a titulação passaremos a ser donos do nosso território e não
    seremos escravos dos latifundiários e as coisas vão mudar para melhor”,
    ressaltou otimista.

    Da comunidade Engole, que possui 60 famílias, no povoado Cedral, Alcacy Vieira,
    que teve 14 filhos, disse que a terra é usada para a pesca e a agricultura e
    que desejam “trabalhar sem conflitos, sem brigas e sem ameaças”.

    Todos os quilombolas permaneceram durante todo o dia na superintendência do
    Incra a espera da ata da reunião. Hoje, eles e outros membros de movimentos
    culturais de São Luís participarão de uma marcha contra o genocídio negro a
    partir das 14h, em uma caminhada pelas principais ruas da capital em direção ao
    centro da cidade. O percurso será definido na manhã desta sexta-feira.
    Relatórios no Incra.

    Em nota, a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e
    Reforma Agrária no Maranhão informou que a reunião foi realizada em resposta à
    solicitação do Moquibom para prestar informações acerca dos processos de
    regularização de territórios quilombolas que tramitam no órgão. A reunião foi
    conduzida pela superintendente substituta do Incra-MA, Fátima Santana e pelo
    chefe da Divisão de Ordenamento da Estrutura Fundiária, Jovenilson Araújo. Na
    oportunidade, foi apresentados o andamento dos pregões nacional e regional
    realizados pelo Incra para contratação de empresas para elaboração de
    Relatórios Antropológico em 56 comunidades quilombolas. O Incra informou ainda
    que estes relatórios estão em fase de elaboração e alguns deles não foram iniciados
    devido a desistência de uma das empresas contratadas por meio de licitação.
    Diante desta situação, o Instituto irá convocar a segunda colocada no certame
    licitatório para que seja dada continuidade ao processo de elaboração dos
    relatórios.

    Do O Imparcial

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