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  • O Dicionário do Baixadês

    Por Flávio Braga
    Na próxima
    quinta-feira (29), faremos o lançamento da obra intitulada “Dicionário do
    Baixadês: coletânea de termos, expressões e provérbios populares da Baixada
    Maranhense”. O evento será realizado na sede da AABB (Calhau), a partir das 19
    horas.
    O registro literário do linguajar típico da Baixada
    Maranhense tem o escopo de valorizar a sabedoria cabocla e contribuir para a
    preservação do modo peculiar de comunicação entre os nativos dessa
    microrregião, sobretudo nestes tempos de massificação da televisão e da
    internet.
    É um trabalho produzido com seriedade e a redobrada
    cautela de não descambar para o escárnio e a caricaturização do perfil
    linguístico do campesinato baixadeiro.
    Não obstante a trivialidade dos vocábulos e a
    ingenuidade inata dos nossos autóctones baixadeiros, a transmissão do
    pensamento, do conhecimento e da informação ocorre de maneira fluente,
    integrada e recíproca entre os interlocutores rurícolas, sem percalços na
    identificação e compreensão dos termos e expressões falados na Baixada
    Maranhense.
    A fim de tornar a leitura mais prazerosa, a obra
    vem ilustrada com 200 fotografias da Baixada Maranhense, destacando-se fauna,
    flora, utensílios domésticos, acidentes geográficos, pessoas, usos e costumes,
    lendas, atividades econômicas, gastronomia, tradições populares etc.

    Dos verbetes coletados, de pouco uso nas plagas urbanas, a grande maioria é
    oriunda do português culto: adonde, ajoujar, alastrim, amuar, andaço,
    arremedar, assuntar, avaluar, aviar, cachaço, caçoar, derribar, desbastar, desmazelado,
    enticar, entonce, esbandalhar, fastar, fundura, graveto, gulodice, indez,
    jirau, licute, materiar, nascida, obrar, partejar, prospecto, quicé, recender,
    talhada, tanso, terém, tramela, trempe, vasqueiro, vogar, xêra etc.
    Uma outra parte dos vocábulos catalogados têm
    origem na família linguística tupi-guarani, sobretudo os nomes de animais,
    apetrechos de pesca e utensílios domésticos largamente utilizados na Baixada,
    como acari, aguidá, canapu, canarana, catipuru, curacanga, garapuca, japi, jeju,
    jandiá, jirau, jurará, landruá, manzuá, matapi, mará, mejuba, pajelança,
    pirapema, tacuruba, tipiti, ubá, urupema etc.
    No dialeto baixadeiro, destaca-se a utilização da
    silepse, figura de linguagem pela qual a concordância das palavras se faz de
    acordo com o sentido e não segundo as regras da sintaxe. As corruptelas,
    prática em voga com a modernidade dos internautas, não se distanciam das raízes
    etmológicas.
    A suma importância deste trabalho, como fonte de
    pesquisas no futuro, é a menção aos barbarismos, tendentes a desaparecer pela
    alfabetização daqueles inocentes caboclos, muito inteligentes, privados de
    estudos. Muitos termos empregados são resquícios da escravatura, que se
    contrapunha ao modo de falar rebuscado dos senhorios.

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