O candidato ao Governo do Maranhão, Orleans Brandão (MDB), dominou o tom político do último debate transmitido ao vivo pela TV Mirante e pelo G1MA na noite desta terça-feira (29). Com postura firme e discurso afiado, Orleans cravou sua liderança ao afirmar que está do “lado certo”, “do lado do presidente Lula”, confrontando a postura neutra do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) e desmontando as investidas de Felipe Camarão (PT).
“Sei que muito ainda precisa fazer, mas eu tô pronto para ser um grande governador, porque eu tô do lado certo, do lado do povo, do Lula e do Brandão”, afirmou Orleans ao encerrar sua participação consagradora no confronto.
Logo na abertura do debate, Orleans tomou a iniciativa e colocou os dois principais adversários na defensiva. O emedebista enquadrou Felipe Camarão ao revelar o papel assumido pelo petista na disputa e ao relembrar o histórico da gestão educacional do adversário.
“O governador Carlos Brandão teve muitos feitos, um deles foi lhe tirar da Secretaria de Educação. Na sua época, as crianças comiam suco com bolacha. E você não é o candidato do presidente Lula. Você é o candidato laranja do candidato Eduardo Braide, que é candidato de Bolsonaro”, disparou Orleans para Camarão.
Rebatendo os ataques contra o setor educacional, o candidato do MDB destacou as transformações implementadas no ensino estadual após a mudança na gestão da pasta, lembrando a reestruturação da merenda escolar no ensino médio e reafirmando sua meta de levar escolas de tempo integral para todas as regiões do estado. Orleans lamentou que Camarão tenha priorizado ataques em vez de propostas: “Eu fiz essa campanha inteira limpa, propositiva, falando sobre um estado que eu amo, sobre um estado que eu andei, que eu conheci e que eu levei muitos programas”.
Orleans escancarou a falência das políticas sociais e do transporte público na capital sob a gestão de Eduardo Braide. “Você desmontou a Secretaria de Assistência Social do município, provocando demissões em massa. Os CRAS, os CREAS, os Conselhos Tutelares estão jogados às traças, estão abandonados”, cobrou. Ao citar a frota de ônibus de São Luís, que despencou de 900 para menos de 450 veículos, Orleans criticou o hábito do ex-prefeito de se esquivar das responsabilidades: “E quando você é questionado, quando você é perguntado, você vai para a rede social, culpa o governador, culpa o ex-prefeito, culpa os empresários… a culpa nunca é sua de absolutamente nada! Eu quero ser governador para resolver os problemas, não para ficar jogando e terceirizando as culpas. É por isso que eu me candidatei. E eu tenho certeza que eu vou fazer uma gestão”.
*Atenção básica, saúde e tributos na capital*
No terceiro bloco, o debate ganhou nova intensidade quando Braide tentou confrontar Orleans com uma declaração sobre os Socorrões. Orleans virou o jogo e levou a discussão diretamente para as condições do atendimento municipal, destacando o respeito aos trabalhadores, mas apelando para a realidade vivida pela população.
“Eu respeito todos os profissionais dos Socorrões. Mas você que está me assistindo aí em casa: você quer ir pro Socorrão?”, questionou Orleans, jogando a responsabilidade para a gestão do ex-prefeito.
Em seguida, apontou que o abandono da atenção básica pela Prefeitura — onde São Luís ocupa o 25º lugar entre as 27 capitais do país e a lanterna do Nordeste — sobrecarrega as UPAs estaduais. “Cerca da metade da população de São Luís está desassistida na atenção básica. A pergunta é: por que você não fez pela atenção básica de São Luís?”.
Orleans também rebateu acusações de interferência política na saúde estadual resgatando declarações da prefeita de Chapadinha, Belezinha, aliada de Braide, que admitiu recorrer ao irmão do ex-prefeito para conseguir leitos na capital. “Então você me acusa do que você faz, você acusa o governador Brandão do que você faz”, atacou.
A pressão sobre a administração municipal se estendeu à política tributária e à cobrança de taxas. “Você cobra o maior ISS para construção civil de todo o Brasil, é aqui na cidade de São Luís”, declarou Orleans, completando com críticas ao arrocho de autuações do município: “É a indústria da multa do Eduardo Braide, a única que ele conseguiu trazer aqui pra capital”.
Ao longo do debate, Orleans combinou a cobrança aos adversários com a apresentação de compromissos concretos para o Maranhão. Na educação, assumiu a meta de transformar metade das escolas estaduais em unidades de tempo integral com ensino técnico. “Eu vou levar as escolas cívico-militares pro interior e colocar 50% das escolas do estado em tempo integral”, garantiu, ressaltando o orgulho das ações da atual gestão: “O programa Educação de Verdade realmente é invenção nossa. Fizemos muito, colocando comida nas escolas, implantamos o passe livre estudantil e fizemos a maior entrega de tablets do Brasil”.
Na saúde, defendeu a regionalização do atendimento com novas maternidades, hospital na Região Tocantina, expansão da hemodiálise e a criação do programa Pix Saúde Já para credenciar clínicas particulares e zerar as filas de exames e consultas. Na segurança pública, detalhou o Cinturão da Paz, sistema de videomonitoramento interligando os 217 municípios.
Em sua mensagem final, Orleans associou sua candidatura à continuidade do volume de obras do Governo Brandão na capital – como a Avenida Metropolitana, a expansão da Avenida Litorânea, o Entreposto Pesqueiro e o Terminal da Baixada – e reafirmou seu compromisso com a juventude, as mulheres e o desenvolvimento do estado. “As grandes obras, os grandes feitos em São Luís, são do governo Brandão”, afirmou.



