Serial killer

Alcântara – “Corumbá” é condenado a 22 anos de prisão

O julgamento terminou no final da tarde desta terça-feira (22) na cidade de Alcântara, onde o serial killer assassinou...

O julgamento terminou no final da tarde desta terça-feira (22) na cidade de Alcântara, onde o serial killer assassinou uma turista espanhola em 2005.

O serial killer José Vicente Mathias, o ‘Corumbá’, foi condenado a 22 anos, 4 meses e 15 dias de prisão pela morte da turista espanhola Núria Fernandes Cllada no município de Alcântara em 2005. Ele deverá cumprir a pena no regime inicialmente fechado, na Penitenciária Odenir Guimarães do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde já cumpre pena de 69 anos por três condenações em Goiás e na Bahia.

José Vicente agia sempre em cidades turísticas e empregava crueldade para matar as mulheres. As mortes envolviam rituais de magia negra e canibalismo, segundo a promotora Alessandra Darub Alves.

“Ele deu várias pauladas na cabeça da vítima, abriu o crânio, bebeu o sangue e comeu o cérebro da vítima”, afirmou a promotora.

Segundo apontou o Ministério Público Estadual (MPMA) na denúncia, a vítima e o denunciado teriam se conhecido na Pousada Três Irmãos, em São Luís, e viajado juntos até Alcântara em embarcação catamarã, onde chegaram por volta de 11h do mesmo dia do crime.

Conforme a denúncia e o próprio depoimento do réu, ele e a vítima teriam tirado algumas fotografias das ruínas. Em seguida, se dirigiram até a praia de Itatinga, onde o corpo da turista espanhola foi achado com sinais de espancamento, em março de 2005.

Duas testemunhas reconheceram José Vicente no banco dos réus. Um defensor público foi nomeado para fazer a defesa de Corumbá, mas nem chegou a cogitar a possibilidade de absolvição do réu.

“Eu não sou obrigado a pleitear a absolvição o tempo inteiro. Eu sou obrigado a fazer a defesa técnica da melhor forma possível”, afirmou o defensor Marcos César da Silva Fortes.

Julgamento

O Conselho de Sentença, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a denúncia, condenando o acusado pelo crime de homicídio qualificado. Na dosimetria da pena, o juiz Rodrigo Terças considerou grave a culpabilidade porque o acusado agiu com premeditação e demonstrando uma elevada reprovabilidade da conduta, uma vez que organizou a morte da vítima mediante um ritual macabro, a exemplo de outros crimes praticados por ele.

O magistrado ressaltou ainda que o acusado já possuía três condenações por crimes similares, demonstrando uma conduta social negativa.

“As circunstâncias do crime são graves, tendo o réu agido com extrema violência, bem como praticado atos repugnantes como lamber o sangue da vítima e passar o mesmo em seu corpo”, frisou o juiz.

A sentença negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, entendendo persistirem os motivos da prisão e buscando a garantia da ordem pública, dada a reiteração de crimes da mesma natureza praticados por ele, podendo causar risco à sociedade caso seja posto em liberdade.

Outros casos

José Vicente também já confessou ter assassinado outras cinco mulheres, sendo três brasileiras, uma alemã e uma russa naturalizada israelense. Os crimes, em série, ocorreram entre 1999 e 2005 no Maranhão, em Goiás, em Minas Gerais e na Bahia.

O juiz Rodrigo Otávio Terças Santos disse que agora as penas de Corumbá serão somadas e que ele as cumprirá em Goiás, onde vai aguardar por novos julgamentos.

“Quando o juiz ele decreta, um tribunal decreta a condenação de alguém, essas penas elas se somam, no que a gente chama se chama de juízo da execução. O juízo de execução é aquela que executa a pena do acusado. Como ele já iniciou a pena em Goiás, eu acho até de bom talante devolvê-lo àquela comarca, já que lá ele já está cumprindo duas penas”, declarou o juiz.

Do G1 MA

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